A desejar que o silênçio
se quebre
renegue em pedaços o que
pela minha alma um dia pensei possível.
Vejo distante
o vosso mundo
como que à procura
ao estender a mão
tristemente longíquo
embarco na minha escravidão.
Vejo o verão a nascer
a vida a se desprender
do mundo
e em mim cresce algo
que se sinto
não o consigo escrever.
O alimentar de uma crença
acaba em guerra
despedaçada a esperança
a minha consciência renasce
num colina onde o amor se despede do dia.
E assim vou vivendo
escondendo de mim
a solidão
e por um momento
apenas adorar o sorriso de um novo dia.
Tristemente patético...
quem me dera...
A felicidade é a ilusão que se está vivo.
A ouvir Forgotten Tomb - Kill Life
Thursday, February 02, 2006
Thursday, January 05, 2006
Dissolução
Sinto como minha
a dissolução de um mundo
que por minha loucura
se renova ao passar da multidão
em cada alma que ao passar por mim
mais me faz acreditar
que nada disto tem razão.
A minha mente é uma abstracção
uma gota de luz
num oceano que sinto apagado
uma ironia
que cantada
se eleva e desaperece
como algo de inútil
o final de um fado.
Sinto em mim tudo
o que à minha volta se destrói
e guardo-o...
com a esperança
bem sei sonho
de que me ajude a te compreender.
Tudo se consome
ao renascer
tudo se dissolve
sem culpa nem remorsos.
ao sentir que quero viver.
E ao sorrir escondo-te
alma minha..
Sim...
Ai Sim..
escondo-te.
Tenho medo do Tempo
que ele de mim leve
o que em ti destrói.
Cinzas nada mais que cinzas..
Este pedaço de texto foi "inspirado" no poema abaixo de Alvaro De Campos(Tabacaria) e em Esoteric.A maneira como as coisas passam por nós, tão cheias de significado e de ideiais acabam por ser destruidas à mercê do tempo.Como diria Alvaro De Campos nada na vida é mais do que um cigarro,um momento no tempo,uma distracção momentânea,um rasgar do véu..uma visão tão querida aqueles que em perfeita consciência sonham.
Gosto de sentir essa dissolução,ácida dirão alguns, mas de momento a única coisa que me da alguma razão.Os sorrisos serão apenas uma mascara,ou a alma a lutar para escapar..
Obrigado ao Sinistrous e ao Sérgio por compreenderem.
a dissolução de um mundo
que por minha loucura
se renova ao passar da multidão
em cada alma que ao passar por mim
mais me faz acreditar
que nada disto tem razão.
A minha mente é uma abstracção
uma gota de luz
num oceano que sinto apagado
uma ironia
que cantada
se eleva e desaperece
como algo de inútil
o final de um fado.
Sinto em mim tudo
o que à minha volta se destrói
e guardo-o...
com a esperança
bem sei sonho
de que me ajude a te compreender.
Tudo se consome
ao renascer
tudo se dissolve
sem culpa nem remorsos.
ao sentir que quero viver.
E ao sorrir escondo-te
alma minha..
Sim...
Ai Sim..
escondo-te.
Tenho medo do Tempo
que ele de mim leve
o que em ti destrói.
Cinzas nada mais que cinzas..
Este pedaço de texto foi "inspirado" no poema abaixo de Alvaro De Campos(Tabacaria) e em Esoteric.A maneira como as coisas passam por nós, tão cheias de significado e de ideiais acabam por ser destruidas à mercê do tempo.Como diria Alvaro De Campos nada na vida é mais do que um cigarro,um momento no tempo,uma distracção momentânea,um rasgar do véu..uma visão tão querida aqueles que em perfeita consciência sonham.
Gosto de sentir essa dissolução,ácida dirão alguns, mas de momento a única coisa que me da alguma razão.Os sorrisos serão apenas uma mascara,ou a alma a lutar para escapar..
Obrigado ao Sinistrous e ao Sérgio por compreenderem.
Wednesday, January 04, 2006
Tributo
TABACARIA - ÁLVARO CAMPOS
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Simplesmente perfeito
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
Simplesmente perfeito
Wednesday, December 21, 2005
Ano novo vida nova
Parece que mais um ano esta a chegar ao fim.Este ano para mim por tudo e mais alguma coisa foi um ano bastante diferente.Começei a escrever este blog e tanta coisa que mudou.Para melhor ou para pior na sei bem ainda..acho que o futuro o dira.Embora tenho passado momentos menos bons e eles terem-me ficado marcados talvez mais fundo que seja mentalmente recomendaveis.Espero que o proximo ano seja um romper definitivo com o passado...ver se nao engordo..A felicidade tem esse efeito nas pessoas :)
Este ano foi importante tambem pelos amigos que ganhei e por aqueles que ja o eram deram este ano provas do quão realmente o são.Bem amigos a vida parece tar encaminhada para voçes, só espero que o novo ano continue a trazer-vos a felicidade que encontraram este ano.Bem acho que vamos tar ca para ver o que o ano novo nos vai dar.
Felicidades e Bom Ano Novo.
Monday, December 05, 2005
Outro
Uma vez mais sinto-me a pensar
como alguem que de fora de mim
me chama a gritar.
Na minha janela o dia teima em querer começar
mas em mim so o sentimento absorvo
de tudo o que sou
e assim escrevo..
escrevo porque não ha mais nada..
apenas um sentimento de vazio
marcado pelo meu sorriso
pela beleza que destruo ao pensar
e por em mim algo tanto odiar
que ao dormir nao quero sonhar.
E assim ao som da luz
procuro dormir
em mim fechar-me
porque no rir
apenas mais uma mentira
que por muito que tente nao me seduz.
E assim se passa uma vida
na rotina de uma melancolia
cortejada por uma tristeza
que nasceu alma...
e sem razão...
nao a compreendo..
Sera a vida um engano momentaneo
um fechar de olhos
o extinguir do sonho
às mãos de uma vela
sem mais nada que falar.
Ao querer lutar
desperdiça-se um vida..
tudo o que amei de mim escondi
em mim morrera a destruição
que sofro ao respirar.
A ouvir Esoteric-Grey Day as 7 da manha do dia 6/12/05
como alguem que de fora de mim
me chama a gritar.
Na minha janela o dia teima em querer começar
mas em mim so o sentimento absorvo
de tudo o que sou
e assim escrevo..
escrevo porque não ha mais nada..
apenas um sentimento de vazio
marcado pelo meu sorriso
pela beleza que destruo ao pensar
e por em mim algo tanto odiar
que ao dormir nao quero sonhar.
E assim ao som da luz
procuro dormir
em mim fechar-me
porque no rir
apenas mais uma mentira
que por muito que tente nao me seduz.
E assim se passa uma vida
na rotina de uma melancolia
cortejada por uma tristeza
que nasceu alma...
e sem razão...
nao a compreendo..
Sera a vida um engano momentaneo
um fechar de olhos
o extinguir do sonho
às mãos de uma vela
sem mais nada que falar.
Ao querer lutar
desperdiça-se um vida..
tudo o que amei de mim escondi
em mim morrera a destruição
que sofro ao respirar.
A ouvir Esoteric-Grey Day as 7 da manha do dia 6/12/05
Monday, November 07, 2005
Evora

Quando a esperança parece sucumbir
ao desvanecer do dia
quando o sol leva consigo a vida
que em ti crescia
conseguiras fechar os olhos
e sentir no apertar do peito
a beleza da despedida.
As lagrimas de solidao
de um crespusculo enfeitiçado
apenas um infinito momento
sem passado
apenas com a certeza
de algo a que alguem
chamou um dia de sentimento.
A felicidade
é viver toda a vida num momento
ser folha
levada pelo vento
sem nunca se perder.
Começam os suspiros..
de um funeral perdoado
..
Light will soon fade away...
...
Monday, October 10, 2005
Outono
Sinto a minha alma no ar
sinto o vento que me traz
a saudade no apaziguar
do tempo
na oraçao celestial
o principio no seu fim.
Sinto esta marcha de folhas caidas
esta dança ao som da chuva
este renascer do desejo
na chama que sinto apagada.
Perco-me nesta melodia
das sombras que dançam à minha volta
na companhia
de algo que procuro nao amar
mas que nao consigo sentir
sem ter lagrimas para ofertar.
Adormeço silenciosamente
ao som desta sinfonia
o suspirar de uma terra
ao suspirar pelos seus filhos
que nela se reencontram e que em mim
me mostram a verdadeira alegria
a verdadeira beleza
um laivo de solidao materna.
sinto o vento que me traz
a saudade no apaziguar
do tempo
na oraçao celestial
o principio no seu fim.
Sinto esta marcha de folhas caidas
esta dança ao som da chuva
este renascer do desejo
na chama que sinto apagada.
Perco-me nesta melodia
das sombras que dançam à minha volta
na companhia
de algo que procuro nao amar
mas que nao consigo sentir
sem ter lagrimas para ofertar.
Adormeço silenciosamente
ao som desta sinfonia
o suspirar de uma terra
ao suspirar pelos seus filhos
que nela se reencontram e que em mim
me mostram a verdadeira alegria
a verdadeira beleza
um laivo de solidao materna.
Wednesday, October 05, 2005
Tempo
Velho amigo
que ilusoes plantaste em mim
que mundos me levaste a ver
que alma deixaste a gritar
nas minhas maos
sinto apenas o toque
do teu coraçao.
O que um dia senti
envolto na paz
de sentir
a imortalidade do teu ser
nas lagrimas
que largo sem te compreender.
Companheiro de deuses
quimera de almas
que por ti
na sua abençoada fragilidade
sonham,
vivem e se libertam.
Perdido
num teu suspiro
doi-me a alma
por saber
que de ti
apenas um aperto no meu coraçao.
Nao te odeio
apenas amo-te sem te sentir..
a ouvir MoonSpell - Opium
Tuesday, September 27, 2005
Guerra

Senti-me levado pela mao
encaminhado para um prazer
momentaneo
submerso por uma visao
de alguem que uma noite
me prometeu
a vida num abraço...
Segui-te por entre a noite
chorei ao teu lado
por um nascer
para sempre adiado
no dia em que a tua alma se cumpriu em mim..
Um dia acreditei
que a noite
me revelaria
o que tu me tiraste
no tempo que perdi.
Sera esta guerra
em que tudo perdi
prenuncio de paz
no mar que tudo me levou
espero por mim...
Monday, September 19, 2005
Madredeus
Quando os sacrificios
nos nascem marcados na alma
que fazer
a quem pedir perdao
a quem jurar
que a tristeza
à muito te tomou conta do coraçao.
Quando nos ceus ecoar
o teu ultimo grito
quando a tua ultima esperança
de se dissolver em dor
sera a consciencia
que para a nossa salvaçao
morreste
e viveste em solidao.
Quando nos encontramos
perante nos mesmos
apenas uma vez
que marcas ficam
naqueles com que nos cruzamos
nas almas que tocamos
nas suas lagrimas
que deixaste à tua merce.
Porque partir
porque morrer em solidao
nao sentes quem te criou
quem ao nascer
te fez sorrir.
Por vezes ao seguir um dado caminho traçado no nosso coraçao trazemos dor àqueles que nos amam e que nos moldam como pessoas.Mas que verdade poderemos apregoar nos se nao somos nos mesmos, se nao nos criarmos à nossa imagem.A dor pode ser forte, a solidao imensa mas pelo menos temos a consolaçao de sermos em plenitude.
a ouvir My Dying Bride - The Black Voyage
nos nascem marcados na alma
que fazer
a quem pedir perdao
a quem jurar
que a tristeza
à muito te tomou conta do coraçao.
Quando nos ceus ecoar
o teu ultimo grito
quando a tua ultima esperança
de se dissolver em dor
sera a consciencia
que para a nossa salvaçao
morreste
e viveste em solidao.
Quando nos encontramos
perante nos mesmos
apenas uma vez
que marcas ficam
naqueles com que nos cruzamos
nas almas que tocamos
nas suas lagrimas
que deixaste à tua merce.
Porque partir
porque morrer em solidao
nao sentes quem te criou
quem ao nascer
te fez sorrir.
Por vezes ao seguir um dado caminho traçado no nosso coraçao trazemos dor àqueles que nos amam e que nos moldam como pessoas.Mas que verdade poderemos apregoar nos se nao somos nos mesmos, se nao nos criarmos à nossa imagem.A dor pode ser forte, a solidao imensa mas pelo menos temos a consolaçao de sermos em plenitude.
a ouvir My Dying Bride - The Black Voyage
Friday, September 09, 2005
Chuva

Nao me lembro
quando começei a rezar
para que a chuva caisse
quando começei a desesperar
para que os ceus me purificassem
para que escondessem a dor nos meus olhos.
Quando terei começado a sonhar
com um anjo para me guiar por entre este nevoeiro
refugio da noite
na criança que é o dia.
Porque e que os anjos
se escondem na noite
desaparecem ao fechar do livro
e nas minhas lagrimas renascem.
Quero sonhar com o dia
em que a chuva me leve
me misture com o nevoeiro
me mostre a criança
que perdi no dia
em que começei a caminhar...
Quero comprir a minha profecia
subir às montanhas que sonho
e dormir no nevoeiro
que a tua falta em mim cria.
Saturday, August 20, 2005
Destino
Vida
promessa de sangue
num respirar de desejo
num crescer transcendente
as lagrimas que em ti nascem.
Todo o sonho
nasce em guerra
todo o choro
floresce em
vida por ti
reflectido em mim
no inverno em que nasci.
Chega o outono
com promessas de poesia
o renascer de um vida
que tema em substir
ao levantar da maresia
a minha pequena alma parte
na chuva que renasce em mim
é tempo de crescer.
Tento esquecer
os dias em que o sol
marcou em gritos o meu caminho
na vontade de reconstruçao
de fugir em mim
que me deixou sozinho
entregue a mares de solidao
elidia da minha alma
ate ao reecontro
nas lagrimas
do inverno que perdi.
Tambem o outono se despede
como toda a vida que nasce
em sofrimento
o inverno em mim renasce.
Ate ao dia
em que encontrar a
ultima restea de beleza em mim
ate ao dia
em que a primavera revelar em mim a sua promessa...de morte...
"When April sheds her fitful rain.Glory be we may live again" - My Dying Bride The Prize of Beauty
A ouvir Reclusiam - Enim Corpus Meum
promessa de sangue
num respirar de desejo
num crescer transcendente
as lagrimas que em ti nascem.
Todo o sonho
nasce em guerra
todo o choro
floresce em
vida por ti
reflectido em mim
no inverno em que nasci.
Chega o outono
com promessas de poesia
o renascer de um vida
que tema em substir
ao levantar da maresia
a minha pequena alma parte
na chuva que renasce em mim
é tempo de crescer.
Tento esquecer
os dias em que o sol
marcou em gritos o meu caminho
na vontade de reconstruçao
de fugir em mim
que me deixou sozinho
entregue a mares de solidao
elidia da minha alma
ate ao reecontro
nas lagrimas
do inverno que perdi.
Tambem o outono se despede
como toda a vida que nasce
em sofrimento
o inverno em mim renasce.
Ate ao dia
em que encontrar a
ultima restea de beleza em mim
ate ao dia
em que a primavera revelar em mim a sua promessa...de morte...
"When April sheds her fitful rain.Glory be we may live again" - My Dying Bride The Prize of Beauty
A ouvir Reclusiam - Enim Corpus Meum
Monday, August 15, 2005
Madrugada
Nascemos embebidos
na felicidade
de uma tempestade murda
por entres as flores
de uma inocencia
queimada em sangue
com o romper do sol
que a solidao foi em mim
prenuncio da decadencia
manifestaçao de loucura
os meus olhos choram por Persefone.
Acordamos para o dia
com a inocencia de um coraçao em flor
mas pelos gemidos de um inverno
que tomou em si a minha vida
cresce em mim
o desespero de uma terra
abandonada
à revelaçao de beleza.
A noite enche-me os olhos
esconde-me a alma
na absurda calma
de um diluvio
absorve-me na espera de um outra madrugada
um ultimo suspiro de inocencia.
a ouvir My Dying Bride - Prize of Beauty
Somos navegadores da madrugada.Perdidos entre lagrimas de maresia escondendo-nos na noite mas procurando a luz do dia.Talvez seja nas madrugadas que possamos viver em paz com a nossa alma com a noite a esconder os nossos medos, a nossa alma nojenta e da-nos um visao de paz.Longiqua onde param os nossos olhos e onde os nossos coraçoes desejariam estar."O meu ser habita na noite e no desejo.A minha alma é uma lembranca que habita em mim".
na felicidade
de uma tempestade murda
por entres as flores
de uma inocencia
queimada em sangue
com o romper do sol
que a solidao foi em mim
prenuncio da decadencia
manifestaçao de loucura
os meus olhos choram por Persefone.
Acordamos para o dia
com a inocencia de um coraçao em flor
mas pelos gemidos de um inverno
que tomou em si a minha vida
cresce em mim
o desespero de uma terra
abandonada
à revelaçao de beleza.
A noite enche-me os olhos
esconde-me a alma
na absurda calma
de um diluvio
absorve-me na espera de um outra madrugada
um ultimo suspiro de inocencia.
a ouvir My Dying Bride - Prize of Beauty
Somos navegadores da madrugada.Perdidos entre lagrimas de maresia escondendo-nos na noite mas procurando a luz do dia.Talvez seja nas madrugadas que possamos viver em paz com a nossa alma com a noite a esconder os nossos medos, a nossa alma nojenta e da-nos um visao de paz.Longiqua onde param os nossos olhos e onde os nossos coraçoes desejariam estar."O meu ser habita na noite e no desejo.A minha alma é uma lembranca que habita em mim".
Sunday, July 31, 2005
Revelaçao
Misterios antigos
a que juras obediencia
murais de sangue
que se perfilam na tua consciencia
amar
na loucura a tua dependencia.
Ao nascer do sol
se levantam as tuas lagrimas
a revelaçao
do ser imundo que se perfila em ti.
A necessidade de reconstrução
perdida em ti
o atingir a perfeiçao
na beleza de quem sorri.
Mereces apenas solidao
apenas as tuas lagrimas
reflexo da realidade que
julgas criar.
Escondo a minha alma
na escuridao da noite
alimento o meu ser
do lixo que crio.
Todos os que amam
imcompriensiveis ate nas minhas lagrimas.
Apenas a solidao
me deve acompanhar
musa irada das minhas maos
fonte do meu ser
a alma dos meus gritos
por entre os quais me quero perder.
Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
(Álvaro de Campos)
a que juras obediencia
murais de sangue
que se perfilam na tua consciencia
amar
na loucura a tua dependencia.
Ao nascer do sol
se levantam as tuas lagrimas
a revelaçao
do ser imundo que se perfila em ti.
A necessidade de reconstrução
perdida em ti
o atingir a perfeiçao
na beleza de quem sorri.
Mereces apenas solidao
apenas as tuas lagrimas
reflexo da realidade que
julgas criar.
Escondo a minha alma
na escuridao da noite
alimento o meu ser
do lixo que crio.
Todos os que amam
imcompriensiveis ate nas minhas lagrimas.
Apenas a solidao
me deve acompanhar
musa irada das minhas maos
fonte do meu ser
a alma dos meus gritos
por entre os quais me quero perder.
Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
(Álvaro de Campos)
Monday, July 11, 2005
Eternidade
Oasis
refugiados em lamentos
pelas lagrimas de poetas
gritos de solidao
rasgam os ceus
e me levam pela mao...
O luto eterno
dos anjos que ousaram viver
e pelas minhas maos
na loucura de os tentar merecer
perecer...
Sonhos de um vandalo
no berço de um desespero
à muito amado
na minha perdiçao
tudo o que me resta
tudo o que sou
e tudo o que me eleva
à horrivel condiçao
de ser..
Estatuas mortas
de poetas longiquos
contemplam o ceu nos meus olhos
e neste mundo de marmore
e decandencia
me sinto vivo.
A pureza da minha destruiçao
me alimenta
da-me força para caminhar
nesta alma
a que apenas a morte faz justiça.
Um vislumbrar de eternidade
no amor de luto
me ajoelho
amo e luto.
Thursday, June 30, 2005
Regresso da decandencia

Pelas minhas maos
encontro o descanso
que na decandencia anuncio
assim regresso...
Neste mundo de misterio
perturbante
me aventuro
com os sonhos
quem em mim morrem.
Quadros silenciosos
que alguma alma ousou gritar
exprimir a revolta dos coraçoes
em algo que nos meus olhos
possa encontrar.
Apenas um inverno
onde viver
por ti...
para mim...
a decadencia que sinto.
Assim me liberto
e me encontro
nas vozes que me amam
nos quadros que te proclamam.
Vivo pela minha alma
perdida em ti
em decandencia
reconstruida
em mim.
Pedaços de lagrimas
que teimo em escrever
vida que teimo em caminhar
seguro
que na tua escuridao
me irei encontrar.
Ancora de sonhos
misticimos de prazer
na arte que aos ceus elevas
a minha alegria de viver..
Monday, June 27, 2005
Sensibilidade
A sensibilidade
que queres tocar
a alegria que queres sentir
pelos teus anjos
o libertar da saudade
nos sentimentos
que um dia ousaste exprimir.
Juras feitas ao teu coração
por um vislumbrar de liberdade
na paz que so tu compreendes
um resnacer da verdade.
Na verdade
seras aquele que perdeste
aquele que julgas
encontrar
que nos braços calmos
de um vento que te eleva
o que procuras amar.
Sentes que as tuas lagrimas te mentem
que os sentimentos que ouves
que almas que tocas
meras desculpas
de algo que se perdeu
e hoje em ti se esqueceu.
O teu sonho
o leito das minhas lagrimas
onde choro e me encontro
onde me elevo e me renego.
Recolhido em mim mesmo
pelo vento que me ha-de acordar
pela alma que perdi
e um dia ousei tentar encontrar.
Na solidao dos sonhadores
procuro por algo que amar
algo que de me razao
algo que me na paz dos teus olhos
me faça lembrar
o que um dia ia no meu coração.
que queres tocar
a alegria que queres sentir
pelos teus anjos
o libertar da saudade
nos sentimentos
que um dia ousaste exprimir.
Juras feitas ao teu coração
por um vislumbrar de liberdade
na paz que so tu compreendes
um resnacer da verdade.
Na verdade
seras aquele que perdeste
aquele que julgas
encontrar
que nos braços calmos
de um vento que te eleva
o que procuras amar.
Sentes que as tuas lagrimas te mentem
que os sentimentos que ouves
que almas que tocas
meras desculpas
de algo que se perdeu
e hoje em ti se esqueceu.
O teu sonho
o leito das minhas lagrimas
onde choro e me encontro
onde me elevo e me renego.
Recolhido em mim mesmo
pelo vento que me ha-de acordar
pela alma que perdi
e um dia ousei tentar encontrar.
Na solidao dos sonhadores
procuro por algo que amar
algo que de me razao
algo que me na paz dos teus olhos
me faça lembrar
o que um dia ia no meu coração.
Cansaço
O cansaço
amigo
de tempos idos
companheiro
dos meus sentidos.
Uma mente dormente
à procura
de alguem que tambem sente
a beleza
das primaveras
que florescem em mim.
Sozinho
acompanho o manjar
a sabedoria
de amar
com o que as maos
se tentam deleitar.
O inverno chega silencioso
para me acordar
da minha cegueira
me libertar
e com a magia liberta
ao toque
da chuva
a natureza em regozijo
nos mares de paz
que se revoltam
à minha passagem
prossigo em chorar.
O santo graal de uma vida
cruzar-tes contigo proprio
uma incerteza existencial
sera a tua alma real?
O cansaço
meu amigo
e a dor dos bravos
a dor na presença de coragem
na vontade de caminhar.
amigo
de tempos idos
companheiro
dos meus sentidos.
Uma mente dormente
à procura
de alguem que tambem sente
a beleza
das primaveras
que florescem em mim.
Sozinho
acompanho o manjar
a sabedoria
de amar
com o que as maos
se tentam deleitar.
O inverno chega silencioso
para me acordar
da minha cegueira
me libertar
e com a magia liberta
ao toque
da chuva
a natureza em regozijo
nos mares de paz
que se revoltam
à minha passagem
prossigo em chorar.
O santo graal de uma vida
cruzar-tes contigo proprio
uma incerteza existencial
sera a tua alma real?
O cansaço
meu amigo
e a dor dos bravos
a dor na presença de coragem
na vontade de caminhar.
Sunday, June 12, 2005
Historia de uma vida
Absorvido em ti mesmo
os teus medos dao à costa
despojos de batalhas perdidas
por uma visao de sanidade
o canto da sereia
nos teus olhos.
Impuro,
vazio,
mentiroso de ti mesmo,
tudo isto é o que eu consigo sentir
o que sou.
Sozinho,
à margem do rio
que ao fundo desagua no mar,
o cantar,
o amar,
brisas que passam por mim e me deixam a pensar.
Sera que algum dia terei a coragem
de seguir o curso deste rio
deixar de olhar para o ceu
com a alma a descoberto
e seguir pela margem.
Escondo-me em pesadelos
nos sentimentos que os outros renegam
e ai me encontro...
Estranho a mim mesmo,
aos outros um livro aberto
hoje sinto com a alma
e adormeço desperto
a desejar uma alternativa ao amanha.
Todos me abraçam
todos me confortam
mas o que vai em mim
so eu para entender
No outro mundo pela mao de Shape of Despair - Quiet These Paintings Are
Sunday, June 05, 2005
Espera
A visao de um mundo idilico
atraves da pequena janela da tua alma
o nascer de um novo mundo
em toda a sua resplandescente harmonia
faz-me chorar
faz-me nao querer nao adormeçer
parar o tempo e abraçar esta melancolia.
Tento esquecer o dia em que uma alma nao chorava em mim
quando o silencio da tua voz
nao me dispertava.
Hoje sinto
os violinos que me chamam
as vozes que me dispertam
e esqueço o perigo desta espera
ameaça de uma solidao
que em mim pareceu eterna...
Continuo a andar
no parapeito desta janela
choro...
pois em mim algo cresceu
A ouvir My Dying Bride - Sear Me MCMXCIII e a pensar numa conversa que tive com dois grandes amigos meus.Obg pelo desabafo Catarina e Alex :)
atraves da pequena janela da tua alma
o nascer de um novo mundo
em toda a sua resplandescente harmonia
faz-me chorar
faz-me nao querer nao adormeçer
parar o tempo e abraçar esta melancolia.
Tento esquecer o dia em que uma alma nao chorava em mim
quando o silencio da tua voz
nao me dispertava.
Hoje sinto
os violinos que me chamam
as vozes que me dispertam
e esqueço o perigo desta espera
ameaça de uma solidao
que em mim pareceu eterna...
Continuo a andar
no parapeito desta janela
choro...
pois em mim algo cresceu
A ouvir My Dying Bride - Sear Me MCMXCIII e a pensar numa conversa que tive com dois grandes amigos meus.Obg pelo desabafo Catarina e Alex :)
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